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Tecnologia

Open Finance chega a 240 milhões de consentimentos: como a tecnologia pode ajudar o brasileiro a conseguir crédito melhor

Noemie VercelliPor Noemie Vercellisetembro 3, 2026
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Open Finance chega a 240 milhões de consentimentos: como a tecnologia pode ajudar o brasileiro a conseguir crédito melhor
Open Finance chega a 240 milhões de consentimentos: como a tecnologia pode ajudar o brasileiro a conseguir crédito melhor

Sistema cresce rapidamente, mas pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros ainda não entende como usar o Open Finance a favor das próprias finanças.

O Open Finance atingiu quase 240 milhões de consentimentos ativos no Brasil, cinco anos após o início de sua implantação, e colocou o país entre os mercados de maior escala no compartilhamento de dados financeiros. O número, divulgado nesta semana em estudo da Zetta em parceria com a AtlasIntel, mostra que a tecnologia já faz parte da infraestrutura bancária brasileira. Ao mesmo tempo, existe um paradoxo que interessa diretamente ao consumidor: 81,9% dos brasileiros já ouviram falar do Open Finance, mas somente 21% afirmam entender bem como ele funciona. (Exame)

A dúvida, portanto, deixou de ser apenas “o que é Open Finance?” e passou a ser “como posso usar essa tecnologia sem colocar meus dados e meu dinheiro em risco?”. Para quem busca crédito, pretende organizar melhor a vida financeira ou quer comparar serviços entre instituições, compreender o funcionamento do sistema pode ser mais importante do que simplesmente autorizar o compartilhamento de informações.

O que os 240 milhões de consentimentos significam para o consumidor?

O Open Finance permite que o cliente autorize uma instituição financeira a acessar determinados dados mantidos por outra instituição. Esse compartilhamento ocorre mediante consentimento e pode incluir informações relacionadas ao histórico financeiro, contas, transações e produtos contratados, dependendo da autorização concedida. A lógica é permitir que o consumidor leve consigo parte de seu histórico financeiro e, com isso, tenha condições de buscar serviços mais adequados ao seu perfil.

O crescimento foi expressivo: segundo o estudo divulgado pela Zetta, o sistema tinha 41,9 milhões de consentimentos ativos em dezembro de 2023 e chegou a aproximadamente 240 milhões em julho de 2026. O ecossistema reúne cerca de 800 instituições participantes e processa dezenas de bilhões de chamadas de API por mês. (Exame)

Esse crescimento, porém, não significa que existam 240 milhões de pessoas utilizando o sistema. Um mesmo consumidor pode conceder diferentes consentimentos para instituições ou finalidades distintas. Por isso, o número deve ser interpretado como uma medida da escala de autorizações existentes, e não como quantidade de brasileiros individualmente cadastrados.

Para o bolso, a principal possibilidade está na utilização mais eficiente do histórico financeiro. Uma instituição que recebe dados autorizados pode ter mais informações para avaliar o perfil de um cliente, o que pode ampliar a capacidade de oferecer serviços personalizados ou analisar operações de crédito. Isso não significa que o consumidor terá automaticamente juros menores ou aprovação garantida, porque cada instituição possui critérios próprios de risco e concessão.

Por que conhecer o Open Finance pode fazer diferença no crédito?

O estudo da Zetta e da AtlasIntel mostra que o crescimento da popularidade do Open Finance ainda não foi acompanhado pelo mesmo avanço na compreensão. Embora 81,9% dos entrevistados tenham declarado conhecer o sistema, apenas 21% disseram estar bem informados sobre seu funcionamento. Outros 37,4% afirmaram conhecer algumas características, mas sem domínio aprofundado, enquanto 23,4% já ouviram falar do assunto, mas sabem pouco. (Let’s Money)

Essa diferença importa porque o consumidor pode estar deixando de utilizar recursos que poderiam facilitar sua relação com bancos e fintechs. A pesquisa aponta, por exemplo, que metade da população ainda desconhece funcionalidades disponíveis, enquanto a portabilidade salarial aparece como uma das prioridades desejadas pelos entrevistados, citada por 41,7%. (Boletim Nacional)

Em tese, quanto mais fácil for compartilhar informações financeiras de maneira segura e padronizada, menor pode ser a dependência de processos manuais para apresentar histórico bancário a uma nova instituição. Isso pode ser especialmente relevante para quem procura crédito e precisa demonstrar capacidade de pagamento. Entretanto, é importante separar potencial de resultado garantido: o Open Finance não obriga bancos a aprovar empréstimos, reduzir taxas ou oferecer determinadas condições.

Também existe um problema técnico que pode limitar os benefícios. Segundo o levantamento divulgado pela Zetta, 61,5% das consultas realizadas na infraestrutura retornam dados antigos ou sem novidade para o cliente, em razão do modelo de funcionamento baseado em consultas periódicas. A associação defende uma evolução para sistemas mais eficientes de comunicação entre instituições, enquanto o Banco Central acompanha a evolução da infraestrutura e das regras do ecossistema. (Exame)

Como usar o Open Finance sem perder o controle dos dados?

A primeira regra para o consumidor é entender que o Open Finance funciona com autorização. Antes de confirmar um consentimento, é importante verificar qual instituição está solicitando os dados, quais informações serão compartilhadas, qual é a finalidade da operação e por quanto tempo a autorização permanecerá válida. O usuário também deve desconfiar de links recebidos por mensagens, redes sociais ou contatos desconhecidos que prometam liberar crédito mediante compartilhamento de dados.

Outro ponto importante é que Open Finance não significa entregar senha bancária para outra empresa. O processo ocorre dentro de ambientes próprios das instituições participantes, e o cliente deve realizar a autenticação diretamente no banco ou aplicativo indicado durante o fluxo oficial. Caso alguém solicite senha, código de segurança ou informações confidenciais fora desse processo, existe um sinal de alerta que merece atenção.

A tecnologia também pode ser útil para quem deseja organizar melhor a própria vida financeira. Ao permitir uma visão mais integrada das informações, o ecossistema pode contribuir para que o consumidor compreenda melhor seus produtos bancários, identifique relações com diferentes instituições e avalie oportunidades de reorganização financeira. O ganho, porém, depende de o usuário compreender o que está autorizando e acompanhar regularmente os consentimentos existentes.

O Banco Central vem desenvolvendo regras para ampliar a segurança, a experiência do cliente e a eficiência do Open Finance. Uma das frentes de evolução envolve justamente o ambiente de gestão de consentimentos, permitindo maior controle sobre as autorizações concedidas. (Banco Central do Brasil)

A expansão do Open Finance também precisa ser observada com cautela porque dados financeiros são informações sensíveis para a vida econômica de qualquer pessoa. Quanto mais instituições participam da infraestrutura, maior é a necessidade de padrões de segurança, governança e qualidade das informações. Uma informação incorreta na origem pode gerar problemas em análises realizadas posteriormente, razão pela qual o debate regulatório não envolve apenas inovação, mas também confiabilidade dos dados.

Para o brasileiro, portanto, o avanço do Open Finance representa uma mudança relevante na maneira como a relação com bancos e fintechs pode funcionar. O sistema já alcançou escala suficiente para deixar de ser apenas uma promessa tecnológica, mas ainda precisa transformar essa escala em benefícios mais claros para o consumidor.

A marca de 240 milhões de consentimentos mostra que a infraestrutura avançou rapidamente, enquanto o baixo nível de compreensão revela que educação financeira e digital continuam sendo obstáculos. (Exame)

Quem pretende utilizar o Open Finance deve olhar para a ferramenta como um meio de ampliar o controle sobre a própria vida financeira, e não como uma garantia de crédito barato ou aprovação de empréstimos. Autorizar dados exige atenção, acompanhamento e compreensão das condições apresentadas. Quanto mais informado estiver o consumidor, maior será sua capacidade de decidir quando compartilhar informações, comparar serviços e utilizar a tecnologia de maneira consciente.

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Noemie Vercelli
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