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Home»Notícias»Quermesses e festas comunitárias na terceira idade: como fortalecem o senso de pertencimento e a saúde mental do idoso brasileiro? 
Notícias

Quermesses e festas comunitárias na terceira idade: como fortalecem o senso de pertencimento e a saúde mental do idoso brasileiro? 

Noemie VercelliPor Noemie Vercellijulho 21, 2026
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Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Conforme observa o Doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, iniciativa que leva atendimento multidisciplinar gratuito a comunidades carentes em localidades de difícil acesso no Sertão de Quixadá, as festas comunitárias, como quermesses, arraiais e celebrações de padroeiro, são muito mais do que eventos de lazer no calendário das comunidades brasileiras. Para o idoso que vive nessas comunidades, elas representam uma das poucas ocasiões em que o isolamento cotidiano é interrompido de forma coletiva e celebratória. 

A participação nesses encontros, seja nas conversas, nas danças, na organização das festividades ou até no preparo das comidas tradicionais, mantém vínculos sociais, resgata memórias afetivas e contribui para aspectos da saúde mental, do senso de pertencimento e do bem-estar emocional que a medicina raramente reconhece. 

O que acontece com o organismo e com a mente do idoso quando ele participa de uma quermesse ou de uma festa comunitária é uma pergunta com respostas que este artigo se propõe a apresentar. Ao longo deste conteúdo, veremos por que preservar o acesso do idoso a essas celebrações é também uma forma concreta de cuidado à saúde.

O que a festa comunitária oferece que o cotidiano não consegue?

A vida cotidiana do idoso, especialmente em comunidades rurais e semiurbanas, frequentemente se organiza em torno de uma rotina estreita com pouca variação de ambiente, de pessoas e de estímulos. A quermesse rompe essa rotina de forma radical: oferece um ambiente diferente do habitual, com cheiros, sons, cores e sabores que não fazem parte do dia a dia, e reuniões de pessoas de diferentes famílias e gerações que raramente se encontram com tanta proximidade fora desse contexto.

Como detalha Yuri Silva Portela, essa ruptura da rotina tem valor neurológico real. A exposição a ambientes e situações novas ativa circuitos de atenção e de processamento de informação que o ambiente doméstico familiar raramente estimula com a mesma intensidade. Para o idoso com risco de declínio cognitivo, essa estimulação ambiental diversificada é exatamente o tipo de desafio que contribui para a manutenção da reserva cognitiva.

Senso de pertencimento e a saúde que vem de ser reconhecido

O senso de pertencimento, sentir-se parte de uma comunidade que reconhece sua presença e que valoriza sua participação, é um dos fatores mais consistentemente associados à saúde mental e à longevidade na terceira idade. A quermesse oferece ao idoso uma experiência concreta de pertencimento: ele é cumprimentado por vizinhos e conhecidos, é reconhecido por seu nome e por sua história, participa de conversas sobre assuntos que conhece e tem papel ativo em uma celebração que faz parte de sua trajetória de vida.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Na avaliação de Yuri Silva Portela, esse reconhecimento social tem impacto fisiológico mensurável: ele ativa o sistema de recompensa cerebral, reduz marcadores de estresse e produz estados emocionais positivos com correlatos sobre imunidade e saúde cardiovascular que a solidão, em contraste, sistematicamente compromete. O idoso que é visto e cumprimentado na quermesse está recebendo uma forma de cuidado social que nenhum serviço de saúde formal consegue oferecer com a mesma autenticidade.

A cozinha das quermesses como espaço de participação e propósito na terceira idade 

Conforme ressalta Yuri Silva Portela, a participação do idoso na preparação das comidas típicas das quermesses representa uma forma de envolvimento social que vai muito além da tarefa culinária. Separar ingredientes, preparar receitas tradicionais e contribuir para a organização da festa mantém o idoso conectado à comunidade e reforça a sensação de pertencimento. Essas atividades também resgatam memórias afetivas associadas à família, às celebrações antigas e aos costumes transmitidos entre gerações.

Além disso, o envolvimento na cozinha estimula diferentes habilidades cognitivas e motoras, como planejamento, atenção, coordenação e tomada de decisões. Para muitos idosos, preparar um prato para a quermesse significa continuar exercendo um papel reconhecido dentro do grupo, preservando autonomia e senso de contribuição. Segundo Yuri Silva Portela, esse tipo de participação ativa favorece o bem-estar emocional, pois transforma o envelhecimento em uma fase de continuidade, troca de experiências e manutenção de vínculos sociais.

Como garantir que o idoso participe com segurança e plenamente?

A participação do idoso em festas comunitárias pode ser comprometida por barreiras práticas que a família e a comunidade têm o poder de remover. Transporte até o local da festa para quem não tem mobilidade independente, cadeiras disponíveis para quem não consegue ficar em pé por longos períodos, iluminação adequada que reduza o risco de quedas e acesso a banheiros sem obstáculos são adaptações simples que transformam uma festa potencialmente excludente em um evento genuinamente inclusivo.

Yuri Silva Portela nota que a comunidade que garante que seus idosos estejam presentes nas celebrações coletivas está praticando uma forma de saúde pública que nenhum manual de geriatria descreve, mas que as populações mais longevas do mundo praticam de forma consistente. Permitir que o idoso participe da organização da festa, inclusive no preparo das comidas tradicionais, quando houver condições adequadas de segurança, também preserva vínculos, conhecimentos e papéis sociais que fazem parte de sua história. Festejar junto é também cuidar junto. 

 

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Noemie Vercelli
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