Ernesto Kenji Igarashi, em sua profissão, presencia cenários nos quais a estabilidade emocional influencia diretamente a qualidade da decisão. Em operações sensíveis, o fator emocional não aparece como elemento periférico, mas como componente ativo do processo decisório. Situações de risco elevado, exposição prolongada à tensão e responsabilidade concentrada criam um ambiente no qual reações impulsivas podem comprometer escolhas técnicas que, em condições menos adversas, seriam tomadas de forma mais equilibrada e consciente, com maior margem de análise e avaliação das consequências.
Em segurança institucional, decisões raramente ocorrem em estado neutro. Pressão externa, expectativa constante de ameaça e leitura permanente do ambiente ativam respostas emocionais intensas, muitas vezes automáticas. O autocontrole, nesse contexto, não significa ausência de emoção, mas capacidade de impedir que ela assuma o comando da decisão. A diferença entre uma resposta eficaz e um erro crítico costuma residir nessa regulação interna, silenciosa e contínua, que sustenta a clareza mesmo sob estímulos adversos.
Emoção como variável ativa do processo decisório
Em operações críticas, emoções não surgem apenas como reação ao risco imediato. Elas se acumulam ao longo do tempo, influenciadas por fadiga, histórico de experiências, clima organizacional e percepção individual de responsabilidade. Ignorar essa dimensão emocional reduz a capacidade de compreender por que decisões tecnicamente simples se tornam complexas sob pressão elevada e por que erros se repetem mesmo em estruturas experientes.
Ernesto Kenji Igarashi identifica que emoções intensas alteram a forma como informações são interpretadas. Ameaças podem ser superdimensionadas, sinais ambíguos ganham peso excessivo e alternativas mais cautelosas deixam de ser consideradas. Reconhecer a emoção como variável ativa permite estruturar decisões que não dependam exclusivamente do estado emocional momentâneo do operador, preservando maior equilíbrio na análise e reduzindo distorções perceptivas.
Autocontrole emocional e preservação da racionalidade
O autocontrole emocional atua como mecanismo de preservação da racionalidade em ambientes hostis. Ele permite criar um intervalo mínimo entre estímulo e resposta, suficiente para que critérios técnicos sejam acionados antes da ação. Esse intervalo, embora curto, é decisivo em operações sensíveis, pois evita reações precipitadas que ampliam riscos e comprometem o controle do cenário.

Ernesto Kenji Igarashi, especialista de segurança institucional e proteção de autoridades, sustenta que o autocontrole não elimina a pressão, mas impede que ela conduza a respostas automáticas. Profissionais que conseguem regular emoções mantêm maior clareza na avaliação de riscos, processam informações com mais precisão e reduzem a probabilidade de escaladas desnecessárias que comprometem a segurança e a legitimidade da operação.
Treinamento emocional como parte da preparação técnica
Preparar equipes apenas do ponto de vista técnico cria lacunas importantes. A ausência de treinamento emocional deixa profissionais vulneráveis a reações impulsivas quando o cenário se deteriora rapidamente. Exercícios voltados à regulação emocional ampliam a capacidade de manter o controle mesmo diante de estímulos intensos e inesperados, fortalecendo a tomada de decisão sob pressão.
Na experiência de Ernesto Kenji Igarashi, treinamentos que simulam pressão psicológica, tomada de decisão sob cobrança e exposição controlada ao erro contribuem para fortalecer o autocontrole. Esse preparo não busca eliminar o estresse, mas familiarizar o profissional com ele, reduzindo o impacto emocional no momento real da operação e aumentando a previsibilidade das respostas em situações críticas.
Autocontrole emocional e impacto institucional da decisão
Decisões tomadas sob descontrole emocional produzem efeitos que ultrapassam o campo operacional imediato. Escaladas indevidas, respostas desproporcionais e falhas de julgamento geram desgaste institucional e comprometem a legitimidade da segurança. Mesmo quando não há dano físico imediato, o impacto reputacional, interno e organizacional pode ser significativo e prolongado.
Ernesto Kenji Igarashi avalia que o autocontrole emocional protege não apenas a operação, mas a instituição como um todo. Decidir com equilíbrio fortalece a previsibilidade da segurança, reduz a necessidade de correções posteriores e preserva a confiança entre equipes, comando e ambiente externo. Em contextos críticos, controlar a própria reação é uma das formas mais eficazes de controlar o risco.
Autor: Dabarez Tayris

