Especialista relaciona o novo cenário fiscal a uma necessidade maior de método nas decisões das empresas
A reforma tributária brasileira é apontada por Carlos Eduardo Rosalba Padilha como uma das transformações estruturais mais profundas do sistema em décadas, na medida em que altera por completo a lógica de apuração, cobrança e distribuição dos tributos. Para ele, essa mudança vai muito além de uma simples atualização de alíquotas: “A reforma não é apenas uma troca de impostos. Ela muda a forma como as empresas lidam com o sistema tributário no dia a dia”, afirma.
Novo modelo tributário muda rotina das empresas
O modelo em construção prevê a substituição dos tributos sobre consumo por um imposto de base ampla, com regras mais uniformes e menor cumulatividade, o que aponta para simplificação no longo prazo, mas impõe, no período de transição, a convivência entre o sistema antigo e o novo. Essa sobreposição tende a elevar a complexidade operacional das empresas justamente na fase em que ainda estão se adaptando às novas regras.
Conselhos consultivos surgem como resposta ao momento
É nesse contexto que ganham força as estruturas de apoio à gestão, como os conselhos consultivos. Segundo Carlos Eduardo Rosalba Padilha, cada vez mais empresas, sobretudo negócios familiares ou em expansão, recorrem a esse tipo de instância para dar mais método às decisões estratégicas. A proposta não é substituir a autonomia dos sócios, mas somar repertório externo ao processo: “O objetivo é trazer visão externa, experiência e método para decisões que muitas vezes são tomadas apenas com base na rotina operacional”, explica.
Base organizacional antecede qualquer estrutura formal
Antes de qualquer arranjo formal desse tipo, no entanto, o especialista defende que a empresa precisa resolver o básico. “Antes de qualquer estrutura formal, a empresa precisa ter números confiáveis, processos claros e responsabilidades bem definidas”, pontua. Essa organização prévia é o que sustenta, mais adiante, temas como sucessão, planejamento financeiro e análise de investimentos, além de ajudar a reduzir conflitos internos ao longo do caminho.
Acompanhamento técnico se torna indispensável
Carlos Eduardo Rosalba Padilha reforça ainda que esperar a poeira baixar não é uma estratégia viável diante da reforma. “Não basta esperar a mudança acontecer. As empresas precisam entender como o novo sistema afeta seus custos e margens”, diz. Isso exige revisão da estrutura de despesas, da cadeia de fornecedores e do próprio modelo de operação, já que a nova tributação deve reduzir distorções em alguns pontos, mas redistribuir cargas em outros.
O recado, segundo ele, vale tanto para grandes companhias quanto para negócios de médio porte: com organização, clareza de objetivos e acompanhamento técnico qualificado, é possível atravessar a transição tributária com menos improviso e mais previsibilidade.

