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Notícias

O efeito borboleta que faz disparar os juros do IPCA+

Diego Rodríguez VelázquezPor Diego Rodríguez Velázquezmarço 27, 2024Nenhum comentário3 Mins de leitura
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Os juros pagos pelas NTN-Bs, títulos públicos atrelados ao IPCA, dispararam nos últimos dias e atingiram um patamar típico de momentos de crise fiscal. O rendimento real (acima da inflação) do IPCA+2045 está a 5,90% a.a. nesta segunda (25), maior patamar desde outubro do ano passado.

Mas será que a alta das taxas de agora indica que há algum tipo de crise se avizinhando? Segundo especialistas, a resposta é não.

O quadro fiscal ainda é, sem dúvida, um ponto sensível, mas a verdade é que o cenário geral melhorou ao longo deste ano. A disparada da taxa paga pelo título do Tesouro se explica por fatores técnicos: a migração dos investidores para debêntures de infraestrutura e o desmonte de posições dos fundos exclusivos geram uma onda vendedora de NTN-Bs. Com mais oferta na praça, o preço dos papéis diminui – e a taxa que eles pagam aumenta.

Em março, houve um volume inédito de ofertas de debêntures de infraestrutura, de cerca de R$ 10 bilhões. Boa parte dos investidores que comprou esses papéis tinha posições em títulos públicos, e decidiu migrar para os títulos isentos.

Foi uma espécie de efeito borboleta: o freio que o CMN impôs à emissão de títulos isentos ligados aos setores imobiliário e do agronegócio (CRIs e CRAs) aumentou a demanda pelas debêntures de infraestrutura, o que estimulou as empresas a elevarem a oferta e, consequentemente, trouxe investidores antes alocados em NTN-Bs. Esse impacto é tão relevante que o governo já está estudando uma restrição a debêntures incentivadas do setor de óleo e gás, um dos que mais contribuíram para essa onda de aquecimento.

Ao mesmo tempo, os fundos exclusivos, que passaram a ser taxados este ano, se preparam para fazer o último pagamento de rendimentos no dia 29 de março. Com isso, eles estão desmontando posições, o que envolve também a venda de títulos públicos IPCA+ (“nome fantasia” das NTNBs). Ou seja: mais pressão sobre as taxas.

A alta nessas taxas gera uma oportunidade de investimento, mas castiga as carteiras de quem comprou o papel há mais tempo, por causa da marcação a mercado – no ano, o saldo de quem tem IPCA+2045 caiu 4,5%.

Ao mesmo tempo, o fenômeno representa um custo maior de emissão de dívida pelo Tesouro, que se vê obrigado a pagar mais juros. De todo modo, especialistas acreditam que esse efeito é transitório, já que a onda de vendas tende a se esgotar.

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