Banco Central amplia funcionalidades do Pix Automático e testa modelo que une boleto e QR Code em um só documento.
O Pix entra em uma nova fase de modernização a partir de julho, com mudanças que afetam diretamente quem recebe salário e quem paga contas recorrentes no dia a dia. O Banco Central confirmou a ampliação do uso de contas-salário para operações via Pix Automático, funcionalidade que antes estava restrita a contas correntes e contas de pagamento. Além disso, está em fase de testes a chamada cobrança híbrida, que combina boleto tradicional com QR Code do Pix em um único documento. A dúvida mais comum entre os usuários é: essas mudanças tornam o Pix mais seguro ou apenas mais prático? A resposta envolve os dois lados. Este texto explica como funcionam as novidades anunciadas para este mês, o que já está confirmado para os próximos meses e por que a segurança segue sendo prioridade na chamada agenda evolutiva do sistema.
Conta-salário no Pix Automático: o que muda para o trabalhador
Até então, apenas contas correntes e contas de pagamento podiam ser usadas para autorizar débitos automáticos via Pix Automático. Com a mudança anunciada pelo Banco Central, trabalhadores poderão autorizar cobranças recorrentes, como assinaturas de streaming, mensalidades de academia e contas de serviços essenciais, diretamente pela própria conta-salário, sem precisar transferir o dinheiro antes para outra conta. Na prática, isso amplia o alcance do Pix Automático para uma parcela da população que recebe o salário em conta específica e, até agora, tinha menos flexibilidade para organizar pagamentos recorrentes por esse canal.
A expectativa do setor financeiro é que essa ampliação favoreça especialmente trabalhadores que não possuem conta corrente tradicional, aproximando o Pix Automático de um substituto direto do débito automático por boleto, modalidade que já deixou de ser aceita em transferências entre bancos diferentes desde janeiro deste ano. Para o consumidor, a autorização de cobranças segue exigindo confirmação prévia e consciente, o que evita a cobrança de serviços cancelados ou esquecidos, um problema recorrente no modelo antigo de débito automático. A adesão das empresas a essa nova possibilidade deve ser gradual ao longo do segundo semestre.
Cobrança híbrida e o futuro da agenda evolutiva do Pix
Outra novidade que ganha força é a cobrança híbrida, que permite ao consumidor escolher entre pagar por código de barras tradicional ou por QR Code do Pix em um mesmo documento de cobrança. A funcionalidade está prevista para entrar no regulamento do Pix ainda neste ano, com obrigatoriedade de adequação por parte das empresas estimada para outubro. Na prática, o objetivo é simplificar a gestão financeira de quem emite cobranças, reduzindo a necessidade de gerar dois instrumentos de pagamento separados para o mesmo boleto.
Paralelamente a essas novidades, o Banco Central segue reforçando as regras de segurança do sistema. O Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, passou por uma atualização importante em 2026, ampliando o rastreamento de transações suspeitas por até cinco contas subsequentes, o que dificulta a ação de golpistas que antes se aproveitavam do bloqueio limitado à primeira conta de destino. Também está em andamento a criação de regras para inibir o uso indevido do campo de descrição do Pix para envio de mensagens ameaçadoras ou ofensivas, com previsão de implementação ainda no segundo semestre deste ano. Outras funcionalidades, como o Pix por aproximação e o chamado Pix Parcelado, seguem em discussão, sem cronograma definitivo de lançamento.
O Pix segue em constante evolução desde sua criação, e as novidades de julho reforçam a tendência de aproximar o sistema cada vez mais da rotina financeira do brasileiro, seja no pagamento de contas recorrentes, seja na segurança contra fraudes. Para quem usa o sistema diariamente, entender essas mudanças ajuda a aproveitar melhor as novas funcionalidades e a se proteger de eventuais golpes, especialmente com o fortalecimento do mecanismo de devolução em casos de fraude comprovada. Os próximos meses devem trazer ainda mais atualizações, conforme o Banco Central avança na chamada agenda evolutiva do Pix, com fóruns periódicos que reúnem instituições financeiras para discutir prioridades e prazos de implementação.
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